Escrever sobre qualquer coisa é comum, mas escrever sobre
alguma coisa pode ser menos decifrável, que progride com palavras comuns, porém
contadas.
Escrever no ato, sem contar, assim eu poderia definir acerca de uma única
coisa, pois mesmo que eu exageradamente me descontrolasse nas palavras e
fizesse delas os melhores encaixes nas perfeitas frases de amor, ainda assim,
não chegaria a uma explicação plena e singular. Tão singular que quando fico
sem palavras, me atravessam arrepios só de lembrar, então continuo na tentativa
de explicar exatamente, e acabo me culpando por não encontrar palavras para
decifrar.
Eu via em todos os lugares, nos rostos das pessoas, nos meus sonhos, na
varanda, no elevador...
Era como um vulto, um fantasma e se concretizava em segundos.
Não sabia a forma de trazê-lo, era o mais estranho de todos do seu gênero, era
o mais difícil de entender. Estudo a cada momento, tento entender cada gesto,
e saber o porquê de todas as atitudes. Isso tudo é uma loucura, eu sei. Mas não
posso fingir que não quero mais saber, sim, ainda me importo, quero saber o que
entender.
Tento disfarçar que não quero, mas quando vem tudo a tona, é inevitável
enlouquecer, perder a cabeça pensando o porquê.
Então alguém me disse que não posso me apaixonar.
Mas era tarde demais, esse, de fato foi o único que sem esforço algum chamou
minha atenção. Tenho pensado muito nisso, esperado por isso, imaginado isso.
Envolvendo-me a cada momento nisso, me vejo perdidamente. Isso realmente está
me consumindo, me deixando louca.
Mas o que é isso?
Não respondi nada a ela.
Tantos outros melhores e eu querendo somente esse.