domingo, 2 de janeiro de 2011
Mundo paralelo
Uma salva de palmas para o domingo sombrio,
que dispensou o meu sol fazendo trocar os planos.
E as nuvens pretas de um dia vazio,
um grito para aqueles que não as contemplaram todos esses anos.
Que no início era ríspido, mas depois ficou gentio,
e saía ao longe de lugares suburbanos.
Só que ainda não entendia esse tipo de desafio,
parecia que não existia, e alguém dizia 'é outra dimensão',
olhei em redor dos trilhos, sentindo um leve arrepio,
talvez o fato de estar sozinha fazia sentir uma aflição,
um calafrio, um medo, entrando numa alucinação.
Era nítido, mas ora desaparecia e via, estava ficando doentio,
lembrando de uma canção, sentei no chão, esperando o vagão,
ao entardecer, a chuva me abraçou, molhando minha roupa branca, com meu violão.
Eu só podia aceitar, não tinha outra maneira, já estava na beira do meio-fio,
o dia virou noite, e eu podia ainda avistar no horizonte, um navio,
eram eles, vieram me buscar, me resgatar, salvar.
O medo virou coragem, coragem de seguir minha intuição,
caminhando tocando aquela canção, chovendo e o vento causava um clarão
chegando na ponta da ponte suja com tábuas velhas da construção,
meus cílios doíam da força que faziam para permanecerem abertos, quase não ouvi o trovão
a chuva era forte que não conseguia enxergar o capitão.
Levantei o braço com o outro pra baixo, segurando meu violão,
'alguém me salva, me tira daqui, ou morrerei em vão'.
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